A Cidade

A origem do nome ‘Catende’ tem duas versões: a corruptela de ‘Katendi’ do africano, que significa lagartixa, ou ‘Caatendi’,
do indígena, que quer dizer ‘mato brilhante ou o que resplandece’. Segundo estudiosos, a última suposição é a mais aceita

Parte das terras da região foi doada pelo Imperador Dom Pedro II ao senador Álvaro Barbalho Uchôa Cavalcanti. Aos poucos, as terras foram sendo vendidas, originando os primeiros sítios e engenhos de cana-de-açúcar. Os registros do povoamento datam de 21 de outubro de 1863, a partir da presença do capitão Livino do Rêgo Barros. Onze anos depois, surge a primeira feira da localidade, que atraiu novos moradores. Por iniciativa do capitão Livino, a ferrovia Estrada de Ferro do Sul e Pernambuco também chega à região.

A cidade de Catende surgiu em torno do engenho de açúcar chamado Milagre da Conceição. O distrito, pertencente ao município de Palmares, foi criado a 28 de novembro de 1892, pela lei municipal nº 02. Foi elevada à categoria de vila, através de lei estadual, a 1º de julho de 1909.

O primeiro prefeito foi João da Costa Azevedo.

O município foi criado em 11 de setembro de 1928, desmembrado de Palmares e acrescido de uma faixa de terra que pertencia ao município de Bonito.


  • Limites: Bonito (Norte);
    Maraial (Sul);
    Palmares (Leste);
    Jaqueira (Oeste)
  • Latitude: 08°40'00" sul
  • Longitude: 35°43'00" oeste
  • Clima: tropical
  • Distância até a capital: 142 Km
  • Altitude: 168 metros
  • População: 41.865 habitantes (IBGE/2016)
  • Área: 207,244 km2

Lenda da Mulher da Sombrinha

“… lenda ou cousa que valha de uma certa visão que aparecia à noite no povoado, e que foi o terror dos notívagos e seresteiros, como ele José Leandro.
Tratava-se de uma figura de mulher vestida de branco, cabelos soltos que, de preferência, andava na Rua do Craveiro, hoje 15 de novembro”

O primeiro registro dessa história é do ex-prefeito Renato Buarque de Macedo, que escreveu, nos anos 40, sobre a aparição de uma mulher que assustou um ferreiro chamado José Leandro.

O historiador catendense, Eduardo Menezes, conta também que os operários do último turno costumavam ficar nas imediações da usina Catende, por volta da meia-noite, momento em que uma loira esplendorosa, com uma sombrinha na mão e uma vestimenta do século 18, passava por eles. Eles acabavam indo atrás dela até o cemitério, completamente seduzidos.

Alguns dizem que eles amanheciam sozinhos, em cima de uma lápide. Outros, que ela desaparecia diante dos olhos deles, em frente ao cemitério. E há ainda quem diga que ela não passava, na realidade, de uma mulher que escolhera um cenário pouco usual e acima de qualquer suspeita para trair o marido.

Fantasma ou traidora, a Mulher da Sombrinha mexe com a imaginação da cidade e faz muitos foliões aguardarem ansiosos no portão do cemitério pela sua saída – no caso, do bloco que leva seu nome e foi criado no ano de 1983, pelos carnavalescos Tomires e Jorge Benjamim (in memorian), com incentivo de um grupo de amigos. Atualmente, a agremiação é mantida pela prefeitura local.

Por meio do Projeto de Lei nº 13.840, de 14 de agosto de 2014, de autoria do deputado estadual Henrique Queiroz, o bloco carnavalesco ‘A Mulher da Sombrinha’ passou a ser Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco.

Link Projeto de Lei nº 13.840/Alepe

A Usina Catende

Está situada no município de Catende, na margem esquerda do rio Pirangi, numa altitude de 153 metros.

Fundada, em 1890, com o nome de usina Correia da Silva, em homenagem ao então vice-governador do Estado, foi originalmente construída pelo inglês Carlos Sinden e seu sogro, Felipe Paes de Oliveira. Esse nome, no entanto, nunca se consagrou, sendo a usina sempre chamada de Catende.

Em 1892, passou a ser usina Catende, construída no antigo engenho Milagre da Conceição, fundado em 1829.

A usina não teve sucesso, sendo entregue a credores, entre os quais o Banco de Pernambuco. Houve várias tentativas de exploração, mas sem resultados, até que, em 1907, foi adquirida pela firma Mendes Lima & Cia, que a reformou (1912), aumentando a sua capacidade de moagem de 200 para 1000 toneladas diárias.

Os proprietários, no entanto, eram comerciantes e não industriais. Interessava-lhes vender o açúcar e não fabricá-lo. A usina foi novamente vendida, dessa vez para a firma Costa, Oliveira & Cia.

Com a saída dos demais sócios, em 1927, a usina passou a ser propriedade do coronel Antônio Ferreira da Costa Azevedo, conhecido pelo apelido de Seu Tenente, que revolucionou toda a zona canavieira da mata sul de Pernambuco, com seu sistema técnico e administrativo, servindo de exemplo para diversas usinas da região.

Em 1929, a usina era considerada a maior do Brasil em produção e capacidade. Possuía 43 propriedades agrícolas, uma via férrea de 140 quilômetros, 11 locomotivas e 266 vagões. O transporte da cana e seus produtos era feito pela Great Western.

Tinha capacidade para processar 1.500 toneladas de cana e fabricar 4.000 litros de álcool em 22 horas. Na época da moagem trabalhavam na fábrica cerca de 700 operários.

Possuía uma vila operária com 200 casas, uma Caixa de Beneficência e mantinha uma escola com frequência média anual de 50 alunos.

Quando morreu, em 1950, Antônio Ferreira da Costa Azevedo, o Seu Tenente, deixou a usina Catende com uma capacidade industrial para fabricação de 1 milhão de sacos de açúcar, uma destilaria de álcool anidro (a primeira do país), 36 mil hectares de terra, 165 quilômetros de estradas de ferro e 82 engenhos de cana.

Seu filho mais velho, João Azevedo, assumiu a direção da usina. Durante a sua gestão, a usina Catende absorveu a usina Pirangi e seus dez engenhos.

Em 1973, a usina Catende foi adquirida por um grupo formado por Rui Carneiro da Cunha (co-proprietário da usina Massauassu), Alfredo Maurício de Lima Fernandes e Mário Pinto Campos. Este último, alguns anos depois, vendeu sua parte para Inaldo Pereira Guerra, comerciante de açúcar no Recife e criador de gado em Gravatá.

Entre 1922 e 1993 a usina Catende mudou sua razão social para Companhia Industrial do Nordeste Brasileiro - Usina Nossa Senhora de Fátima.


Recife, 7 de agosto de 2003.
(Atualizado em 9 de setembro de 2009).


FONTES CONSULTADAS:

ANDRADE, Manuel Correia de. História das usinas de açúcar de Pernambuco. Recife: FJN. Ed. Massangana, 1989. 114 p. (República, v.1)
GONÇALVES & SILVA, O açúcar e o algodão em Pernambuco. Recife: [s.n.], 1929. 90 p.
MOURA, Severino. Senhores de engenho e usineiros, a nobreza de Pernambuco. Recife: Fiam, CEHM, Sindaçúcar, 1998. 320 p. (Tempo municipal, 17).

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Usina Catende. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife.
Disponível em: .
Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

Usina Catende – links para consulta:

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2016/06/21/leilao-da-usina-catende-frustrado-mais-uma-vez-241047.php
http://www.avozdavitoria.com/usina-catende-finalmente-e-vendida-por-r-40-milhoes/
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2012/10/31/grupo-dos-emirados-arabes-arremata-bens-da-usina-catende-62072.php

Hino de Catende

Letra: Josibias Cavalcanti, Melodia: Pe. André Coopman

A bandeira desfraldemos

Batalhão de voluntários

Que a marchar tem nas fileiras

Estudantes, operários

Instrução e braço forte

Grande estirpe, nobre porte

Do progresso tributários (2x)


Povo da tranquilidade

Do trabalho, que viceja

Do sorriso, da Escola

Do esporte e da Igreja

A cantar seu estribilho

Uma voz em cada filho


Catende, Catende

Bendito, Bendito seja (2x)


Se nos campos abundantes

A riqueza verde aflora

Na cidade range o dente

Da moenda que a devora

Transformando em sangue

O alimento que nos trouxe

O camponês da nossa flora (2x)

Ouça

Galeria de Prefeitos

Nome Partido Início do mandato Fim do mandato Observações
1

João da Costa Azevedo

1928 1929 Intendente
2

Pedro de Araújo Cavalcanti Duca

1929 1930 Intendente
3

Alde Feijó Sampaio

1930 1930 Intendente
4

Manoel Martins Amorim Júnior

1930 1930 Intendente
5

João Pacheco de Queiroga

1930 1930 Prefeito nomeado
6

Manoel Martins Amorim Júnior

1930 1931 Prefeito nomeado
7

João Mayrink Monteiro de Andrade

1931 1933 Prefeito nomeado
8

Silvano Olympio de Queiroga

1933 1935 Prefeito nomeado
9

Benjamim Marinho de Oliveira

1933 1935 Prefeito nomeado
10

Manoel Gonçalves Guimarães

1936 1936 Prefeito nomeado
11

Nelson Leobaldo de Moraes

1936 1937 Prefeito nomeado
12

Silvano Olympio de Queiroga

1937 1938 Prefeito nomeado
13

Manoel Marques de Oliveira

1938 1939 Prefeito nomeado
14

Manoel Álvaro de Freitas Lins

1939 1942 Prefeito nomeado
15

Melchiades Montenegro de Albuquerque

1942 1944 Prefeito nomeado
16

José Feliciano da Silva Porto

1944 1945 Prefeito nomeado
17

Renato Buarque de Macedo

1944 1945 Prefeito nomeado
18

Luiz Sabino de Azevedo

1945 1945 Prefeito nomeado
19

José Feliciano da Silva Porto

1945 1945 Prefeito nomeado
20

Maximino Guilherme da Cunha

1945 1946 Prefeito nomeado
21

Joaquim Gomes Pessoa

1946 1947 Prefeito nomeado
22

Francisco Porfírio de Andrade Lima

1947 1947 Prefeito nomeado
23

José Rufino da Silva

1947 1947 Prefeito nomeado
24

Joaquim Pessoa de Siqueira

1947 1947 Prefeito nomeado
25

Mauro Puglise Branco

1947 1947 Prefeito nomeado
26

José Eugênio Cavalcanti

1947 1951 Prefeito eleito
27

João Calú do Nascimento

1951 1955 Prefeito eleito
28

Adauto José de Mello

1955 1955
29

José Eugênio Cavalcanti

UDN 1955 1959 Prefeito eleito
30

Atayde Accioly Lins

1959 1963 Prefeito eleito
31

Fernando de Barros da Silva

1963 1969 Prefeito eleito
32

Josibias Darcy de Castro Cavalcanti

1969 1973 Prefeito eleito
33

Fernando de Barros da Silva

ARENA 1973 1977 Prefeito eleito
34

Josibias Darcy de Castro Cavalcanti

1977 1983 Prefeito eleito
35

Odorico Freire de Lobo Júnior

1983 31 de dezembro de 1988 Prefeito eleito
36

José Milton Lins da Silva

PMDB 01/01/1989 31/12/1992 Prefeito Eleito
37

Odorico Freire de Lobo Júnior

PSB 01/01/1993 31/12/1996 Prefeito Eleito
38

Otacílio Alves Cordeiro

PSB 01/01/1997 31/12/2000 Prefeito Eleito
39

Manoel Ramos de Almeida

PSDC 01/01/2001 31/12/2004 Prefeito Eleito
40

Rildo Braz da Silva

PTB 01/01/2015 31/12/2008 Prefeito Eleito
41

Otacílio Alves Cordeiro

PSB 01/01/2009 31/12/2012 Prefeito Eleito
PSB 01/01/2013 16/06/2016 Prefeito Reeleito
42

Josibias Darcy de Castro Cavalcanti

PSD 17/06/2016 31/12/2016 Prefeito Interino
43 PSD 01/01/2017 31/12/2021 Prefeito Eleito